Trigésima primeira edição da SEMEV atrai cerca de 700 ouvintes com mais de 100 temas da área

Por Victor Ohana, da FAPUR

Uma das maiores semanas acadêmicas da Universidade Rural movimentou a comunidade acadêmica entre os dias 16 e 25 de maio. Em sua trigésima primeira edição, a Semana do Médico Veterinário da UFRRJ (SEMEV) já é considerada por muitos professores e alunos como um verdadeiro congresso estudantil, pela sua quantidade e variedade de palestras, discussões, minicursos e outros eventos. A SEMEV foi organizada por docentes e discentes e teve a colaboração da FAPUR.

Neste ano, a semana de palestras alcançou a marca de 700 inscritos como ouvintes, graças à dedicação de 120 organizadores e ao apoio de 33 patrocinadores. Já na abertura, percebeu-se a grandeza da semana: auditório cheio, discursos entusiasmados, homenagens emocionantes e muita expectativa. O professor Armando Salles, presidente da FAPUR e ex-professor do curso, foi um dos doze homenageados na cerimônia.

Na mesa que celebrou a largada da SEMEV, estava o professor Jonimar Paiva, um dos coordenadores do evento. Segundo ele, a semana tem tradição nacional.

“O saldo é que a SEMEV cresceu. Nós temos um evento no porte de um congresso. São diferentes áreas abordadas, com grande número de participantes”, comenta Paiva, em entrevista à FAPUR. “A escolha dos temas é feita de forma bem livre, dentro de núcleos. As sugestões são dadas por alunos em discussão com os professores”, explica.

Júlia Prates é estudante de veterinária e trabalhou como coordenadora discente na organização. Para a jovem de Pindamonhangaba (SP), em 2018, a SEMEV deu um salto.

“Todo ano a SEMEV cresce, mas, neste ano, parece que houve um boom. A infraestrutura teve que ser maior, contamos com rádios para nos comunicarmos, o número de estandes de patrocinadores cresceu, tivemos uma quantidade de minicursos maior, convidamos palestrantes de renome, e isso tudo é muito gratificante”, conta a aluna de 24 anos. “O evento mostra que está cada vez melhor e mais grandioso”.

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SEMEV ofereceu dez ciclos com mais de 140 temas

As discussões foram divididas em dez grandes áreas, que a organização deu o nome de “ciclos”. Os ciclos eram: Clínica Médica de Animais de Companhia; Bovinocultura; Medicina Complementar; Medicina de Equinos; Gestão e Marketing; Inspeção e Tecnologia de Produtos de Origem Animal; Microbiologia e Imunologia; Saúde Pública; Medicina de Animais Selvagens; Produção Animal e Desenvolvimento Sustentável. Ao todo, foram mais de 140 palestras em apenas uma semana.

Andressa Kagohara é médica veterinária e ministrou uma das palestras do ciclo de Medicina de Animais Selvagens. Kagohara debateu com os alunos sobre o manejo de filhotes abandonados.

“No Brasil, temos uma demanda muito alta de filhotes resgatados porque sofremos influências de muitas alterações antrópicas, ou seja, alterações de origem humana. Então, o desmatamento, as queimadas, os atropelamentos, a caça ilegal e o tráfico de animais são extremamente presentes no nosso dia a dia. Isso faz com que os filhotes cheguem em condições muito precárias para nós. Então, temos que saber como abordar esse animal”, diz Kagohara. “Esses animais são muito sensíveis e frágeis, porque eles perderam os pais. Portanto, é importante sabermos lidar com ele de maneira rápida, porque o atraso de um dia pode ser crucial para a vida desse animal”, complementa.

Para ela, esse debate merece mais espaço nos cursos de veterinária em geral.

“Principalmente na área de animais selvagens, existem muitas espécies, e cada espécie tem uma biologia diferente. Então, essa biologia é fundamental para a criação desse animal. O estudo de cada espécie de cada animal que vai ser recebido é extremamente importante. Precisamos enfatizar essa área com os alunos”, afirma.

Outra discussão levantada na SEMEV foi sobre a higienização e o processamento tecnológico dos frangos de corte. A condução da palestra ficou por conta do técnico Rafael Carreon, gerente regional da companhia americana Cobb-Vantress, uma empresa de pesquisa e desenvolvimento de aves. O especialista discursou sobre os cuidados necessários no processo de produção dos frangos de corte.

“O aluno de medicina veterinária precisa entender todo o processo, analisar as falhas e avaliar os impactos na saúde humana e na qualidade do produto”, argumenta. “Esse assunto carece muito de debate, principalmente neste momento em que o Brasil está vivendo. Vemos que a Europa está parando de comprar os produtos brasileiros, vemos escândalos na mídia, laudos ‘burlados’, e nossa sociedade é muito focada em doença e pouco no processo. Às vezes, as lesões no frango nos confundem, achamos que é uma doença, mas simplesmente é uma falha no processo que pode ser corrigida”, explica.

A SEMEV também ofereceu diversos minicursos aos participantes. Um deles, realizado no Hospital Veterinário, tratou sobre Sedação Ambulatorial em Cães e Gatos. Semelhante à anestesia, a sedação é um medicamento que serve para tranquilizar o paciente. A especialista Viviane Horta, responsável pelo minicurso, dividiu o conteúdo em uma parte teórica e outra prática. De acordo com Horta, o uso de sedativos é essencial para diferentes casos.

“Na clínica, muitas vezes os sedativos são importantes para procedimentos como radiografias, biópsias, retirada de tumores e pequenas suturas. O objetivo aqui, portanto, é dar informação ao clínico para que ele tenha maior capacidade de sedar o paciente de forma adequada e segura”, explica ela.

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Coordenador destaca empenho da FAPUR na organização

A FAPUR colaborou com a organização oferecendo assistência administrativa. Para o professor Jonimar Paiva, a contribuição da Fundação foi indispensável para a realização da SEMEV.

“Com a colaboração da FAPUR, temos tranquilidade quanto à manipulação da verba da Semana. Vi o empenho dos funcionários da Fundação para nos ajudar, todos vestindo a nossa camisa, dando valor à semana da medicina veterinária. Essa parceria fez tudo dar certo”, comenta.

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